Eu, aqui, comendo esse bolo de fubá e tomando esse café amargo, do jeito que eu gosto, penso que todas essas conexões no meu cérebro, que me fazem sentir esse enorme prazer em uma coisa tão pequena, vão um dia desaparecer. Como posso então, permanecer? Porque eu sei que permaneço, assim como você permanece. Como sei disso? Sei disso porque não te conheço de agora: sei teu ser de outras vidas também. E você sabe disso, mesmo não acreditando. Mas você sabe, de algum modo, em algum lugar aí dentro, que estamos num looping infinito e que eu sou eu e que você não me conhece de agora.
E você não pode se desprender de mim: por mais longe que você vá (por favor não vá longe demais, eu quero presença física também), eu e você estamos presos, seguros em uma teia que não se desfaz nunca. E você pode até tentar se desprender, se machucando pelo caminho, mas estamos condenados a saber do outro.
O passado é uma prisão: o amor que eu te dei vai permanecer, porque um dia eu te amei verdadeiramente. E você pode fugir, dar as costas e fechar os olhos: mas o passado (maldito!) fica impregnado na nossa memória (seja do corpo ou da alma).
25/08/2015
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Schrödinger
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