15/12/2015

Mãe Sebastiana, parte II

Ali estava sentada Mariana. Com seus 22 anos, estava sentada, de olhos bem fechados pra tentar ver alguma coisa. Mariana queria respostas pras perguntas que nem tinha formulado, e elas vieram. Mariana não tinha sido uma mulher só. Tinha sido muitas. E foi apresentada, ali, naquela situação, à mãe Sebastiana e à Laila. Mãe Sebastiana e Laila tinham sido fortes e ainda viviam dentro de Mariana.
Aí sim Mariana abriu os olhos: não podia ser verdade. Mas fechou logo pra não ser mal educada e perder toda a apresentação. Não existia medo, pois mãe Sebastiana tinha pegado Mariana no colo e dado seu peito pra menina. Mariana mamava e medo não existia mais.
Sebastiana tinha começado sua vida como escrava e terminado como senhora de seu senhor. Nunca tinha tido o prazer da alforria mas sempre tivera o poder sobre todas as coisas. Quem se importa com a liberdade quando se pode ter tudo? Mãe Sebastiana não questionava nada.
Por outro lado, o que mãe Sebastiana tinha de inteligência, Laila tinha de esperteza. Laila não tinha tido um destino muito diferente de Sebastiana: era também escrava. Ela e sua família tornaram-se escravos de um povo.
Mas Laila tinha olhos. Os olhos de Laila convenciam uma multidão sem precisar dizer uma palavra.
E era isso. Tudo se escureceu. Mariana começou a se preocupar, então. Como lidar com o fato de que tinha sido essas duas mulheres e que elas estavam dentro dela? Como lidar com o fato de que Mariana não era nem inteligente nem esperta?
Mariana tinha suas cicatrizes e suas dores. Nas costas e no coração. E o que fazer? Mariana era só um saco de carne que carregava alguns sonhos e muita saudade. Só sabia chorar e sorrir, lembrar e sentir falta.
Dever insustentável era esse de continuar com as grandes façanhas de duas mulheres tão importantes. Será que Mariana falharia miseravelmente? O que Mariana tem a oferecer?
Então mãe Sebastiana veio novamente acalmar a menina. Aí Mariana percebeu: mãe Sebastiana é inteligente, Laila é esperta e Mariana fala. E foi nesse instante que ela começou a conciliar o poder da palavra e o coração.

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Schrödinger

 I was uneasy, worried, and tense. Waiting for a result is one of the cruelest things in life. Will it be a positive response? Or a negative...