Eu te desejei boa sorte porque eu achei que você fosse precisar. Não comigo. Eu estou aqui e não pretendo sair tão cedo (não é nem questão de escolha, porque sinceramente não tenho nenhuma). Eu te desejei boa sorte porque suas mulheres cavarão sua cova. Você vai amar cada uma e beijar o corpo de cada uma da mesma maneira que beijou o meu: com o gosto de morango e com a amargura de um século sem nos vermos. Mas tudo vai ser sensivelmente mais simples com cada uma de suas mulheres: por sorte você vai encontrar mulheres bem sensatas. (Te pergunto então, meu caro, se é sorte, já que sabemos que o café da manhã é sempre mais saboroso com um pouco de insensatez). Suas mulheres te darão alegrias que nunca dei: a liberdade de buscar no peito dos outros um pouco do que você quer.
Só que vai chegar um dia, meu amor, que, por sorte (ou nem tanto), você vai voltar pra minha casa, como sempre fez, e olhar no fundo dos meus olhos buscando pelo mínimo de faísca do que sobrou entre nós. Mas, por sorte!, meu peito já estará murcho e o seu, todo ausente.
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