26/12/2015

Até logo

Você me ligou por dó ou por necessidade de tapar o buraco no seu peito? Aquele buraco que tem vários nomes, mas que agora chama culpa e que outrora chamou saudade?
Eu não sei ao certo mas preciso que entenda o que eu sei: aquelas duas pessoas com quem convivi quase cinco anos da minha vida não existem mais.
Aquela Mariana e aquele você não existem mais. E isso já me doeu por muito tempo, mas hoje só sangra de pouquinho alguns dias no ano.
Mas, independente disso, mesmo que ninguém nunca mais me leia, é sobre isso que eu sei escrever.
E não escrevo pra você: e veja que isso é bem contestável, já que estou me dirigindo diretamente a você nesse momento.
Entretanto, most of the time, eu escrevo como uma necessidade minha de tornar meus pensamentos em algo palpável. E como eu disse, todo mundo escreve sobre algo. Eu tenho só aquelas duas pessoas pra escrever sobre, e não simplesmente porque foi a melhor coisa que eu tive com alguém (o que eu não acredito realmente que tenha sido, eu tenho sido muito feliz com muita gente e muita coisa), mas porque foi o que mais me fez sofrer.
E eu sou uma escritora meia boca que sempre soube escrever só sobre sofrimento.
Eu nasci sofrimento, cresci dor e provavelmente morrerei como angústia.
Eu só consigo ser assim, e me desculpa se isso te fizer me ligar no meio da tarde de sábado, mas sou como sou e é como é.
O que eu posso dar a esses textos é a dor de ver você vivendo nossos planos com outra pessoa e ficar cantando "wouldnt it be nice" que toca em algum bar enquanto to na fila pra pagar a conta.
E quer saber o que é a melhor parte disso tudo? É que eu tenho licença poética pra escrever tudo isso e ainda juntar os dois pés nessa terra e jurar que nada disso é verdade: é só um romance meia boca pra dar vida a um blog muito que decadente.

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Schrödinger

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