21/03/2016

Depois de um longo dia de trabalho, gosto de me sentar e perceber o quanto meu pescoço está tenso. Depois de um longo dia de trabalho, qualquer coisa se torna menos importante do que a vontade de ir para cama logo. A dor que queria que eu dilacerasse minha carne há umas três, quatro horas, já perdeu a importância. A vida tem dessas e sempre terá.
Sempre fui boa em escrever coisas sem sentido, que só vinham e não pediam licença. E acho que isso é o principal. Isso meio que me acalma e me tira a responsabilidade de me esforçar por algo.
Cansei de me esforçar por algo. Vi meu trabalho ruir por entre meus dedos. Subi aquela escada pensando que eu ia te oferecer o pacote completo: se fosse pra sofrer e me ajoelhar a seus pés pedindo perdão, eu ajoelharia. e ajoelhei. Você me xingou. Você me tirou toda a dignidade que eu ainda tinha.
E até agora eu teimo em crer que a culpa não é sua. A culpa foi minha e toda a dor que eu sinto fui eu mesma quem causei.
Mas e você? E você, meu nobre rapaz? Já olhou pras suas mãos? Você já parou pra pensar em que loucura foi tudo isso?
Eu te dei minha vida de olhos fechados e disse: cuida. E você simplesmente virou as costas. E aí? Pode isso? A culpa é minha?
Eu costumo romantizar demais as coisas: tudo fica mais bonito com um véu de romanticismo, não é mesmo? E isso me tortura a ponto de eu querer me sufocar a fim de aliviar um pouco, quem sabe.
Eu, sinceramente, não queria passar a minha vida inteira com você. Nunca quis. Engraçado isso né? Depois que terminamos eu passei a crer que você seria a única pessoa que poderia me fazer feliz. Até filhos com você passei a querer. Mas durante nosso relacionamento, nossa, isso era o meu maior medo.
Eu acordava todos os dias do seu lado, grata por você existir, mas ainda assim tinha medo e rezava baixinho para que eu não estivesse stuck com você. E eu falo isso com muito pesar e ao mesmo tempo muita autoridade. Eu senti isso durante um ano.
E foi só a gente terminar que eu apertei o interruptor do romanticismo e subverti tudo isso. Como a cabeça da gente é louca, não é mesmo? Como que pode isso acontecer?
Eu sempre me achei um pouco complicada demais nesse sentido. Eu tenho uma predileção por coisas sofridas. Se não for pra ficar jogada no chão, eu não me interesso.
Eu gosto é do estrago também. Eu gosto de ver a barriga se contrair pra expulsar o que tem de ruim pela boca: situações guardadas por anos.
Mãe Sebastiana passou por aqui. Mandou avisar que isso vai passar. Me pegou no colo e insistiu: vai passar. E eu sei que vai. O duro, mãe Sebastiana, é enquanto não passa.

Nenhum comentário:

Schrödinger

 I was uneasy, worried, and tense. Waiting for a result is one of the cruelest things in life. Will it be a positive response? Or a negative...