Você não precisa sorrir, não agora. Tudo bem estar com um puta medo, Mari, é assustador mesmo. E tudo bem essa ferida estar doendo, ela tá sangrando e causa dor mesmo, é normal. Vai passar um tempo seco, menina. Vai passar um tempo em que você vai parar de comer, vai parar de achar maravilhoso aquele seu sorvete preferido e vai achar todo dia pior que o outro. Você vai ter aquelas reviravoltas no estômago toda vez que ver ele, sozinho ou acompanhado de uma outra mulher. E vai doer a semana inteira. E você vai morrer de vontade de correr atrás dele e falar tudo de novo: fazer aquele monólogo que só você sabe fazer. Mas não vai adiantar nada mari, a pedra que você jogar na sacada dele vai ficar lá por um tempo porque por muito tempo ele vai estar na cama com outra pessoa sem vontade de sair.
E a saudade vai rasgar seu peito, vai dilacerar suas vísceras e ele vai estar rindo, feliz, em algum bar com os amigos. Mas tudo bem, Mari. As coisas são assim mesmo. E você vai implorar pro universo (esse que você acabou de descobrir que não existe, porque se existisse ele ia te ajudar nesse seu desespero) pra que ele nunca mais coloque ninguém na sua vida porque felicidade nenhuma compensa toda essa dor. Nenhuma.
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